A indústria dos videojogos está em polvorosa! A Sony Interactive Entertainment anunciou esta semana, através do PlayStation Blog, que vai deixar de produzir discos físicos para todos os jogos novos a partir de janeiro de 2028. Depois dessa data, os títulos que forem lançados só estarão disponíveis em formato digital, seja através da PlayStation Store, seja em versões digitais vendidas em retalhistas físicos.
A decisão não é propriamente uma surpresa para quem acompanha a indústria há alguns anos, mas a forma direta como foi comunicada, e a rapidez com que se transformou num dos temas mais discutidos das redes sociais, apanhou muita gente de surpresa.
O Que Diz Exatamente a Sony
No comunicado oficial, a Sony explica que a decisão reflete uma mudança de comportamento que já vinha a acontecer há vários anos: cada vez mais jogadores preferem comprar e aceder aos seus jogos em formato digital, o que torna a manutenção da produção de discos cada vez menos justificável do ponto de vista de negócio.
É importante notar que esta mudança não afeta jogos já lançados, nem títulos que estejam agendados para chegar em disco antes de janeiro de 2028. Ou seja, quem já tem uma coleção física, ou pretende continuar a comprá-la nos próximos dois anos, não vai sentir qualquer diferença imediata. O impacto real só se vai fazer sentir com os lançamentos a partir dessa data, num momento em que se especula que a PlayStation 6 já possa estar no mercado.
A empresa garante ainda que vai continuar a disponibilizar jogos através de retalhistas, mas nesse caso a compra passará a corresponder a um código de download dentro de uma caixa física, e não a um disco propriamente dito, tal como já está a acontecer com o já badalado caso de GTA VI.
Uma Onda de Reações,
Se há coisa que este anúncio conseguiu foi unir a internet contra uma decisão. Nas horas seguintes ao comunicado, multiplicaram-se as respostas de marcas dentro e fora do sector, muitas delas a gozar abertamente com a Sony.
A Domino’s Pizza publicou uma paródia do comunicado oficial, anunciando (a brincar, claro) que ia deixar de vender pizzas físicas.
BREAKING NEWS pic.twitter.com/i28QZd7Z2g
— Domino's Pizza UK (@Dominos_UK) July 2, 2026
A KFC Espanha seguiu o mesmo caminho, prometendo “frango em formato PNG”, acessível apenas através da aplicação, com “DLC de molhos” incluído.
🚨ÚLTIMA HORA: KFC dejará de ofrecer su formato físico a partir de hoy.
— KFC (@KFC_ES) July 2, 2026
Sus productos solo se podrán consumir a través de su app en formato falso png. pic.twitter.com/7BBC2uqXHO
A ProtonVPN juntou-se à brincadeira ao anunciar, de forma satírica, que passaria a operar exclusivamente em formato físico a partir de 2027, com funcionários a bater à porta dos clientes para resolver problemas técnicos.
BREAKING NEWS pic.twitter.com/wpCXObTqlm
— Proton (@ProtonPrivacy) July 2, 2026
Nem todas as respostas foram humorísticas. A retalhista de aluguer de jogos GameFly manifestou o seu desagrado de forma mais séria, comprometendo-se a continuar a apoiar quem prefere os suportes físicos.
— GameFly (@GameFly) July 1, 2026
Já a loja de coleccionáveis iam8bit expressou também a sua frustração com a decisão.
A note from us on today's Sony news. pic.twitter.com/wVxQOrCZ27
— iam8bit (@iam8bit) July 1, 2026
A ironia da situação não passou despercebida a quem tem boa memória: em 2013, a própria Sony gozou publicamente com a Microsoft por esta ter proposto restrições ao empréstimo e revenda de jogos na Xbox One, numa altura em que a PlayStation se apresentava como a grande defensora da propriedade física dos jogos. Doze anos depois, os papéis parecem ter-se invertido.
As Desvantagens de um Mundo Só Digital
| Aspeto | Físico | Apenas Digital |
|---|---|---|
| Mercado de usados | Podes vender ou trocar o jogo | Praticamente inexistente |
| Empréstimo a amigos | Basta emprestar o disco | Depende de mecanismos da própria loja |
| Preservação a longo prazo | O jogo continua a funcionar mesmo sem servidores | Depende da manutenção da loja online |
| Preço e promoções | Frequentemente mais barato em segunda mão | Descontos dependem exclusivamente da editora |
| Espaço de armazenamento | Não ocupa espaço na consola | Exige SSD com capacidade suficiente |
O primeiro grande receio prende-se com a preservação dos jogos. Organizações como a Video Game History Foundation têm alertado há anos para o facto de os jogos apenas digitais ficarem à mercê da vontade das editoras: se um dia uma loja online fechar, ou se uma editora decidir remover um título do catálogo, os jogadores que já compraram esse jogo podem simplesmente perdê-lo.
Depois há a questão do mercado de usados, algo que sempre foi um pilar importante para muitos jogadores, sobretudo os que têm menos orçamento disponível para comprar tudo a preço de lançamento. Sem discos, deixa de haver possibilidade de revender, trocar ou emprestar um jogo a um amigo sem recorrer a soluções que a própria Sony ainda não esclareceu como vão funcionar.
Outro ponto sensível é o preço. Muitos jogadores fazem notar que, ao contrário do que seria expectável, a eliminação dos custos de produção, embalagem e distribuição de discos não costuma traduzir-se em jogos mais baratos. Pelo contrário, o receio é que, sem concorrência do mercado de usados nem promoções agressivas em lojas físicas, os preços dos jogos digitais se tornem ainda mais rígidos.
Por fim, há quem sublinhe a diferença entre este cenário e o que já acontece no PC, onde existem lojas como a GOG a vender jogos sem qualquer tipo de DRM, permitindo guardar cópias permanentes independentemente do que aconteça à loja. Nas consolas, essa alternativa simplesmente não existe: a compra fica sempre dependente da própria PlayStation Store.
E Agora, o que Muda para Quem Joga?
Para já, na prática, nada muda de imediato. Continuas a poder comprar jogos em disco normalmente até 2028, e a tua coleção atual não é afetada de forma nenhuma. O verdadeiro impacto só vai chegar com os lançamentos futuros, numa altura em que grande parte da indústria já caminha nesta direção de qualquer forma. Aliás, há já rumores de que a própria Microsoft está a testar internamente uma funcionalidade para digitalizar coleções físicas de jogos na Xbox, o que sugere que o caminho para o “tudo digital” pode não ficar limitado à Sony.
Resta saber se a pressão gerada por esta onda de críticas, petições e memes vai ter algum efeito prático na forma como a Sony implementa a transição, ou se, tal como reconhecem vários analistas do sector, esta é simplesmente uma direção que já estava traçada há muito tempo e que agora se torna, finalmente, oficial.
E tu, ficas do lado do digital ou vais continuar a comprar em disco enquanto ainda podes? Achas que esta decisão da Sony é inevitável, ou vais mesmo sentir falta de teres os jogos na prateleira? E achas que a pressão nas redes sociais pode levar a Sony a recuar, ou achas que já está tudo decidido?








