Por Que Razão Tantos Fabricantes de Componentes Eletrónicos Estão Com Problemas de Produção?

Por todo o mundo, a disponibilidade de stock de dispositivos eletrónicos sofre de problemas de reposição e mesmo os novos equipamentos parecem chegar a conta-gotas. Há uma razão para isto estar a acontecer.
O aumento de consumo de equipamentos eletrónicos, como desktops, portáteis, entre outros, durante a pandemia da Covid-19  devido às necessidades do trabalho remoto e ensino à distância causou uma escassez no fornecimento de chips essenciais à produção de vários componentes e está a afetar praticamente todo o setor.
Até mesmo o setor automóvel está a sofrer consequências devido a esta escassez de chips. A General Motors anunciou que irá reduzir a sua produção nos EUA, Canadá e México até meados de março. Assim como a GM, a Ford, Honda e Fiat Chrysler também abrandaram a produção dos seus automóveis devido ao mesmo problema.
Unidade de Produção da GM

A AMD e a Qualcomm, que comercializam chips para grande parte das maiores empresas de eletrónica, demonstraram também a mesma escassez recentemente. A Sony culpabiliza este problema de escassez de chips pela dificuldade de criar stock de PlayStations 5 para satisfazer a procura.

Produção de PS5 Afetada Pela Escassez de Chips no Mercado

É bastante provável que este problema se mantenha durante os próximos meses, o que fará com que a procura continue a atingir os valores  mais altos de sempre. A SIA (Semiconductor Industry Association) anunciou em dezembro que as vendas globais de chips cresceram 8.4% de 2020 para 2021, num total de 433 mil milhões de dólares. De 2019 para 2020 foi registado um crescimento de 5.1%. Pode parecer um crescimento ligeiro, mas temos que considerar que este valor envolve quantias absolutamente titânicas.

A pandemia criou um estímulo sem precedentes à procura e ao consumo de dispositivos eletrónicos.
Na primeira vaga observamos um aumento de procura por desktops, portáteis, monitores, e outros dispositivos para trabalho e ensino remoto. Durante a segunda vaga, aumentou a procura por equipamentos de entretenimento, como consolas de videojogos, TVs, smartphones, e tablets.
As vendas de computadores subiram 4.8% em 2020, com um crescimento de mais de 10% registado durante a época natalícia. Esta subida de vendas veio contrariar um declínio que se registava já há alguns anos e é o maior aumento no mercado de computadores desde 2010.
Não foi só o mercado de computadores que prosperou, foi registado também um aumento nas vendas de consolas de videojogos, headphones, e produtos smart home. Todos estes dispositivos incluem uma quantidade considerável de chips, não se limitam apenas aos processadores principais (CPUs), que podem custar algumas centenas de euros, mas abrange também dezenas de pequenos chips, menos dispendiosos claro, mas que fazem parte dos monitores, placas gráficas, routers, entre muitos outros dispositivos.
Patrick Moorhead, fundador da Moor Insights, uma firma que estuda a indústria de semicondutores explica que “a escassez atual de chips começa com a procura sem precedentes de computadores e periféricos numa altura em que o mundo trabalha e frequenta aulas a partir de casa”.
Patrick Moorhea - Fundador da Moor Insights
Lisa Su, CEO da AMD, empresa responsável pela produção do processador no núcleo das consolas da Sony e da Microsoft, afirma também que é esperado que esta escassez se faça sentir durante o primeiro semestre de 2021, no mínimo: “a indústria necessita de aumentar, em geral, os seus níveis de produção”.
Lisa Su - CEO da AMD

Parece que o problema irá manter-se ainda durante algum tempo. Numa altura em que todos queremos comprar aquele componente, computador, gadget, ou uma novidade eletrónica que nos deixa entusiasmados e ansiosos por experimentar, esta escassez de produtos pode ser um verdadeiro atentado à nossa paciência. Resta-nos aguardar pelo aumento de produção de chips e estar atentos aos stocks para conseguirmos ser os mais rápidos a comprar, se tivermos sorte.

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